Bastonária da Ordem dos Enfermeiros – ou “quando o verniz estala”…ESTALO!

A questão não era o título mas confesso que demorei mais a pensar nele do que no artigo em si mesmo.

Pensei em vários, desde “A queda de um anho “primeira hipótese

 a “ Timber”- nem sempre as árvores morrem de pé, às vezes suicidam-se”!

passando por

Magros, feios, porcos e maus” mas fiquei-me por:

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros – ou “quando o verniz estala”…

Ana Rita Cavaco fez uso do Facebook para denunciar a vacinação antecipada de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, chamando-a de “gorda fura filas”. Bastonária dos Enfermeiros defende a utilização do termo, apontando que foi a autarca que se disse “obesa” para justificar já ter sido vacinada contra a covid-19.

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, escreveu durante a noite de ontem, 2 de fevereiro, “Presidente da Câmara de Portimão. A gorda fura filas. Malvada a hora que nasci magra” numa publicação na sua conta de Facebook,

Pois muito bem, Exma. Sr.ª Enfermeira.

Eu sou obesa. Logo – gorda!

Mas a Sr.ª Enfermeira provavelmente pensa que ser-se obeso, em tempos de pandemia – é uma escolha de cada um de nós, para nos “chegarmos à frente” na fila de vacinação. E a Sr.ª Enfermeira exclama “Malvada a hora que nasci magra”! E não se dá conta de quão ofensiva consegue ser com esta “aparente” simples exclamação! Mas …eu já não me deixo ofender e estou-me nas tintas para que me chamem gorda, ou bucha. O que me incomoda, e isso sim, está a incomodar-me é o facto de estas palavras terem sido proferidas pela Bastonária da Ordem dos Enfermeiros…porque, parece-me que para ter esse título, terá de se ser enfermeiro, ou não?

É que, sabe? Há muitos obesos que lutam contra essa doença – sim, é uma doença. É uma doença que a Sr.ª Enfermeira desconhece. Deixe-me citar o Dr. Carlos Vaz, Cirurgião Geral que diz:

“é hoje claro que a obesidade não é o simples resultado de indisciplina ou de falta de “força de vontade”, pela qual o doente ingere uma quantidade excessiva de alimentos aos quais não consegue resistir por fraqueza de espírito, ou não tem atividade física suficiente por indolência. O conhecimento deste facto é de grande relevância, uma vez que permite retirar do espírito de qualquer programa de tratamento da obesidade o espectro e a sombra da culpa, que frequentemente pende sobre o doente obeso, não raramente discriminado e tratado como sendo responsável pela sua doença; esta atitude estigmatizante, além de ser cientificamente errada, causa ao doente um sofrimento adicional significativo e inútil, reduz ainda mais a sua autoestima e compromete fatalmente os resultados do programa de tratamento em curso.”

In

https://www.cuf.pt/mais-saude/obesidade-e-suas-causas

A Sr.ª Enfermeira desconhece tudo isto, não é? …são coisas que se aprendem nas aulas do Curso de enfermagem, Sr.ª Enfermeira.

 Mas parece-me que a Sr.ª Enfermeira também desconhece o Código Deontológico do Enfermeiro.

Sabe que no seu Artigo 81º diz que deve prestar cuidados de saúde “sem qualquer discriminação”? Sabe que deve “abster-se de qualquer juízo de valor acerca da pessoa assistida”? Sabe que o Referido Código tem como “princípio orientador o respeito pelos direitos humanos”? Sabe que um desses direitos é o Direito à dignidade? Sabe que se consideram “práticas discriminatórias todas as que violem o princípio da igualdade”? Sabe que deve “defender e proteger a vida humana em todas as circunstâncias”? E que não deve achincalhar, vexar, humilhar, sujeitar os pacientes a comentários degradantes? Não sabe!

Ora…é destes “profissionais de saúde” que eu tenho medo!

 

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Afinal, não sou cidadã, segundo um sujeitinho que ontem veio à Televisão, não existo.

Uma vez em fevereiro e outra em março, durante o pico da pandemia, dei graças por ter sido contemplada, por essas duas vezes, com duas consultas médicas por telechamada. Não interessa aqui aprofundar se eram consultas de diabetes, tensão arterial, nutrição. Interessa, sim, que essas consultas estavam-me marcadas e eu já deitava contas à vida a tentar encontrar uma desculpa para não comparecer. Sim, porque diz o povo e bem, o seguro morreu de velho e a última coisa que me apetecia era ir meter-me em ambientes hospitalares.

Fui consultada por telechamada como acima referi. Das duas vezes, médicas diferentes, porque consultas distintas foi-me perguntado sobre o meu estado, sobre valores e medidas, foram-me prescritas análises, foram-me receitados medicamentos que, mais tarde, “aviei”! Fiquei contente e se bem que nem todas as consultas possam ser por telechamada, bem sei,  estas duas que a mim diziam respeito evitaram:

-Deslocação à unidade de saúde, logo despesa a nível de transportes

-Nervos em franja por estar numa sala de espera, precisamente…à espera.

-“Transpirar em bica” na sala de espera onde, geralmente, o ar condicionado  e a respiração de dezenas de utentes como eu…à espera…tornam o ar da sala pesado e abafado…

– Conversa de circunstância com outros pacientes …(a desgraça alheia nunca me confortou e não é agora que o fará).

– Ter de contar os euros, um a um, para dar “trocado” no “guichet”…

-Viagem de regresso a casa e mais despesas a nível de transporte.

Ou seja, fui atendida, e bem, por telefone: foi só atender , sentar-me no meu sofá…e pronto, já está.

Porém, segundo o sujeitinho que ontem veio à televisão (com ambições de denegrir o governo ),…essas duas consultas que EU TIVE “foram canceladas”! Ou seja, eu, com cartão de identidade, unidade de carbono, pessoa, passei de utente feliz a utente não existente!

Irritou-me, pronto!

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Vence a Gramática, está visto…

Brincava com as letras, formava

Palavras…

Tristes, alegres, sensíveis, zangadas…

Brincava com elas e com a pontuação:

Um período todo em reconstrução:

Colocava um ponto,

Mais uma exclamação,

Imperfeito agora, mais futuro simples

E uma interrogação.

Brincava com as letras… que formavam

Palavras…Coitadas, nem sabiam já

A sua função…

Eram constituintes, a molhos de querer…

Eram complementos sem o saber.

Brincou com as palavras e com as conjunções

Jogou com parágrafos e interjeições.

E as pobres palavras, transidas de dores

Não queriam já ser modificadores:

Queriam sossego, deixadas em paz.

Com rima, ou sem ela…

Numa estante indiferente da cor do lilás…

.

Brincou com as palavras, espalhou-as ao vento

Colocou prefixos, sufixos e hífens

Tratou de as juntar, sem regra ou coesão

Em grupos absurdos … e sem referentes.

E em traços gerais

Retirou acentos, ignorou sentidos

Direto, indireto, oblíquo …sei lá!

Num Tempo aludido e com sujeito nulo.

Brincou com prazer, que as regras, se as há…

São p’ra ser quebradas,

Quais nódoas marcadas

Em finos tecidos,

Sujeitos em espera, já subentendidos.

Mas ela ao brincar

Com palavras vazias …

Tropeçou no Amor,

Estatelou-se no chão, sem pontos nem vírgulas,

sem condicionais, ajoelhou em terra

sem derivação.

E a palavra, armada de todo o sentimento,

Olhou-a a modos de repreensão.

Não brincava já: olhava mui séria

A palavra Amor

e sentiu a dor

Despida de ser.

O Amor, entretanto, foi buscar sentido

 E trouxe consigo

Nomes, adjetivos, advérbios e mais

E todos ali a olharam de lado:

E era digno de ver seu ar enfiado…

Veio o Gerúndio, todo emproado,

 qual rei coroado

De indignação

Com palavras altas, imensas, maiores

Juntinhas todas, sem falsos pudores,

Chegou dizendo, com douta altivez:

 “Querendo”, “Sonhando”, “Vivendo”… “Amando”.

E ela, coitada, já atordoada

Que foi que ela fez?

Fez um guardar como

E com desfaçatez

Terminou sessão, assim, amuada

No seu Windows dez

Mangualde

24 de dezembro de 2019

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Puro ser

E a chuva abateu-se por sobre toda a natureza.

Lavou fontes, lavou o casario

e juntou toda a água e correu ao rio

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Não sei

Foto de Blueshell
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Nada mais….

Não resta nada mais

senão a memória do Tempo…

As lembranças dos velhos que resistem à dor do viver.

Não resta mais do que a sombra de uma fotografia

ao acaso, que se esquece num qualquer arquivo

Sem sentido…Abandono

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(foto de Blueshell)

 

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Do outro lado do Tempo

 

 

 

Novembro 2017

Novembro 2017(photo de Blueshell)

Apareceu, com som, como um grito que se ouve ao longe…

 

 

 

 

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My, oh, my…

Do not try to take me away from my path…

I’ll go on , and on, all alone, through time, through hope…

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Versos de … Dor

 

procura3

(foto de BlueShell)

Nos versos que faço te procuro em sofrido desespero
E por não te encontar sei que meus versos não são
Versos de amor…são versos de dor…
Que te anseiam e em vão se cansam de tanto te
Procurar….

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Capar pepinos pois claro

 

dia1
 

(Foto de BlueShell)
Era um verão quente aquele, de há alguns anos, em que eu tinha ficado de cuidar da quinta.
Sabia o suficiente de agricultura para, pelo menos, fazer as regas. E deslocava-me à aldeia dia sim, dia não,…se o tempo assim o ditasse, para cuidar dos tomates, do feijão-verde, das alfaces, dos pepinos …e do jardim: havia imensas plantas em flor mas o meu local preferido era o roseiral, pelas belas rosas que continha.
 
Num desses dia de rega, quando já o suor me escorria pela face, pescoço…e o meu cabelo se apresentava longe de ser decente…ei-lo: era o vizinho, o senhor Diamantino, viúvo e que sempre fizera a sua vida na, e para, a terra! Durante anos tivera rebanhos…agora cultivava algumas belgas de terra para seu consumo.
Viu-me, parou a bicicleta e cumprimentou-me:
 
-Bom dia, menina!(na aldeia, mesmo depois de sermos mulheres casadas…o “menina” tem sempre lugar…o que até nem me pareceu mal…digamos até que senti algum prazer nesse cumprimento).
 
– Bom Dia, Sr. Diamantino, vai benzinho?- disse eu de sorriso rasgado como é meu hábito.
 
– Vamos como se pode e os dias deixam…. – e sorriu.
 
– Eu ando a regar, como pode ver!
 
– Estou a ver…-fez silêncio…depois prosseguiu:
– Mas olhe, menina…
 
– Diga!
 
– A menina tem de “capar” esses tomates e esses pepinos! É que senão ficam “pequenos e amargosos”!
 
O meu olhar fulminou-o!
– Ó Sr. Diamantino, francamente, agora deu-lhe para gozar comigo, ou quê? – respondi de forma brusca pousando a sachola no rego por onde corria a água.. Olhe que o respeito é coisa que aqui ainda se usa…
 
Uma nuvem de imensa preocupação turvou-lhe o sorriso, saltou da bicicleta e, num ápice, já se encontrava junto a mim.
-Não, menina, não!!!…estou a falar sério, longe de mim, credo…
 
E vi que estava atrapalhado, sem cor…
Então explicou o que era “capar” os pepinos, e exemplificou.
-É que, tirando estes miúdos que estão no caule, os outros ficam maiores, mais carnudos e não amargam. O mesmo acontece com os tomates…ficam maiores, mais desenxovalhados.
 
Foi nesta altura que eu ruborizei…e senti uma imensa vergonha a somar à minha imensa ignorância no campo da agricultura. Pedi desculpa e agradeci…
 
Nesse dia aprendi, com um homem do povo, que se “capam”…pessoas e animais…e ainda tomates e pepinos…
 
Ah…e nesse dia trouxe comigo uma rosa…uma das minhas favoritas…e que hoje ofereço ao Joop…porque sei que gosta de rosas!
 
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(Foto de BlueShell)
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Out of the blue

Assim é….DSC03193

… sem razão aparente e sem respeitar as boas regras de sintaxe resolveu escrever.

“Grande erro”! Não teria sido melhor permanecer sossegadinha, em silêncio, sem dar nas vistas  e manter um tal de “low profile”? mas não! Tinha de dar “uma no cravo, outra na ferradura”! Isto quando se chega a uma certa idade uma pessoa pode dar-se ao luxo de se manifestar, quanto mais não seja para provar a si mesma que ainda está viva! Ora, provavelmente, foi esse o caso. Ou não…nunca saberemos porque ela nunca dirá a razão pela qual , do nada, se resolveu a escrever de novo!

Será aquilo a que alguns chamam de “grande enigma”! Ou não….

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Um artigo sobre obesidade

Todos os dias, milhares de portugueses lutam contra uma doença que é ainda invisível para a sociedade, apesar de se refletir no corpo destes doentes.

A obesidade é um problema de saúde crónico e, por isso, sem cura, mas que pode ser controlado. Mesmo assim, o doente obeso convive diariamente com o preconceito de quem acredita que basta ‘fechar a boca’ para não engordar.

Mas entre o excesso de peso e a doença da obesidade atravessa-se uma luta de todos os dias, mesmo para quem já conquistou avanços. “Um doente ex-obeso é um obeso controlado. A obesidade é uma doença crónica. Existe sempre risco de recuperar o peso.

É uma guerra diária e cansativa”, explica ao CM Carlos Oliveira, presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (Adexo), que lamenta a falta de compreensão de muitos portugueses para “uma doença real que tem mesmo de ser tratada”. Numa luta constante contra o próprio corpo, com o cérebro a criar a sensação de fome permanente, os doentes obesos enfrentam ainda uma guerra exterior.

“A partir de determinada altura, estes doentes desesperam com a necessidade de ter de perder peso por razões de saúde e sociais, não conseguem arranjar emprego, têm de enfrentar uma série de dificuldades”, alerta o representante da Adexo. Por isso, estão também mais expostos aos perigos das dietas ‘milagrosas’ e dos produtos que prometem resultados irreais. “No desespero, deitam mão a tudo”, considera Carlos Oliveira. Para vencer a guerra, o caminho não deve ser percorrido sozinho.

 

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Estive doente

Bronquite e pneumonia deixaram-me hospitalizada 10 dias em Viseu.

Foi mau, muito mau.

Mas tive tempo para pensar em muitas coisas, umas mais importante do que outras,

Tive tempo para rever algumas  fotos que tirei há uns tempos.

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É de lamentar

…quando em qualquer local de trabalho as pessoas se deparam com abusos de poder, com intimidação, com situações de desautorização por parte dos superiores (deixando o trabalhador ser humilhado apenas por querer fazer cumprir os regulamentos impostos por esses mesmos superiores).

Estudos mostram que tais situações levam ao desespero, a depressões,a uma baixa de rendimento no trabalho,  a despedimentos….

Imagine um médico desautorizar um enfermeiro…como acha que vai ser o seu atendimento se entrar logo de seguida para fazer um penso?

Imagine o mesmo num tribunal, numa repartição de correios, das finanças…..

 

 

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(Foto de Blueshell)

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Restos…de vidas

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(Foto de BlueShell)

Restos de vidas permanecem enquanto o Tempo foge e deixa a sua marca nos que ficam. Lembranças de tempos outros, tempos  e terras e gentes e colheitas e rotinas que nunca chegaram a sê-lo verdadeiramente.

Restos, agora, sim…restos de um calor  que jamais se encontrará.

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(Foto de BlueShell)

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